Precarização de terceirizadas causam revolta de trabalhadores






Funcionário da Enel é morto após realizar corte de energia por falta de pagamento em academia
Um funcionário a serviço da Enel, de 27 anos, foi baleado no dia 13, depois de uma confusão para conseguir cortar a energia de uma academia por falta de pagamento em Ermelino Matarazzo.
Odail Maximiliano Silva Paula morreu após levar um tiro na axila na avenida São Miguel, no posto de gasolina do Corinthians. O eletricista estava a serviço da Enel e foi baleado pelo dono da academia, na Vila Marieta, ao tentar cortar a energia de seu estabelecimento por falta de pagamento.
O prestador, Odail Maximiliano, deixou o local e foi seguido pelo criminoso que matou o terceirizado no posto de combustível do Corinthians na Avenida São Miguel, às  14h. A discussão começou na sede da academia, na rua Antônio Carlos Lamego, com o educador físico Randal Rossoni, de 44 anos, identificado pela Polícia Militar no mesmo dia.
Odail foi levado ao pronto-socorro, mas não resistiu. O atirador fugiu em um carro preto, mas foi encontrado pela polícia e preso.
As cenas chocaram as pessoas que viram o assassino agredir e depois atirar no funcionário da Enel no posto. Henry, que trabalha como prestador de serviço na região, lamentou o caso.
“Uma vergonha para a sociedade, não precisava fazer isso, totalmente desnecessário, o cara estava fazendo o seu trabalho, não tinha motivo para fazer isso”.
Em nota, a Enel afirmou que repudia o ato de violência contra Odail, que fazia parte do quadro de uma empresa parceira. “Após realizar o serviço de corte por inadimplência, o prestador de serviço foi baleado e morreu depois de ser socorrido e levado ao hospital", disse a companhia.
No comunicado, a Enel afirma que está em contato com a empresa terceirizada para que seja prestada assistência à família do colaborador. "A Enel informa que foi registrado boletim de ocorrência e que acompanhará as investigações das autoridades policiais para que esse crime não fique impune."
A PM informou que o empresário Rossoni, após uma briga com agressão corporal, seguiu a equipe da empresa até o posto de gasolina, disparou e fugiu.
O assassino, dono da academia, educador físico, nutricionista esportivo e bodybuilder, foi encontrado em casa, sem a arma do crime e preso em seguida.
O Sindicato dos Eletricitários diz que os prestadores que realizam corte de energia, recebem um salário de R$ 1.500 e tem uma meta de 30 cortes de energia por dia, da rotina dos terceirizados da Enel que são constantemente ameaçados diariamente.
Após o assassinato de Odail Maximiliano pelo dono de academia inadimplente na Zona Leste. Os funcionários que acompanharam o velório e enterro do colega de trabalho, que estava a serviço da concessionária, relataram ameaças, agressões e medo no atendimento aos clientes.
Os funcionários da empresa e de outras, que prestam serviço para a concessionária de energia Enel, temem voltar a fazer cortes de energia na cidade de São Paulo, após o assassinato do colega de trabalho.
Muitos deles disseram que abandonarão o trabalho por conta da violência.
Um funcionário da terceirizada disse que nas últimas semanas a empresa elevou de 25 para 30 o número de cortes diários que cada equipe da empresa precisa fazer para conseguir ganhar um bônus mensal Chicão, o presidente do Sindicato dos Eletricitários, divulgou pelas redes sociais a reunião realizada com a Enel e PSC Alpitel, que cobrará da Enel todo apoio à família do pai trabalhador que deixou filho pequeno. Ele lamentou a barbárie vivida pelos trabalhadores, e disse que os funcionários vivem momentos de medo e angústia pela violência e exploração das empresas.


Reportagem: Márcia Brasil
Fonte: Sindicato dos Eletricitários
Imagens: Márcia Brasil

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