Além do Estereótipo: O Papel do Funk e do Hip Hop na Identidade Escolar



Ao associar manifestações periféricas à marginalidade, educadores e famílias distanciam o ensino da realidade dos jovens, perdendo a oportunidade de usar códigos culturais próprios para fortalecer o vínculo e a expressão dos alunos.

por Laina Moraes

A resistência à presença do funk e do passinho nas instituições de ensino fundamenta-se em barreiras culturais e sociais entre o currículo escolar e as vivências das periferias. Famílias e educadores frequentemente associam essas manifestações a estereótipos de marginalidade, o que resulta na exclusão dessas linguagens do ambiente acadêmico. Esse distanciamento impede a utilização de códigos culturais que compõem a identidade de parcela significativa dos estudantes e que definem suas formas de interação e expressão fora da escola.

O estudo técnico e histórico dessas manifestações revela sua natureza como patrimônio imaterial e ferramenta de desenvolvimento motor. O passinho exige execução de movimentos complexos que envolvem ritmo, equilíbrio e consciência espacial, elementos que integram as competências da educação física e das artes. A análise das letras e da evolução do gênero permite o trabalho com variações linguísticas, métricas poéticas e contextos sociológicos, o que transforma o ritmo em um objeto de estudo interdisciplinar dentro da base nacional comum curricular.

O Coordenador do projeto Hip Hop nas escolas, Bruno De Mello informou como os ensinamentos sobre funk e hip hop durante a educação infantil, mudou sua história: Então, ele não deixa de ser também, porque eu sou um MC, integrante de um grupo de rap, que sempre tive num contexto escolar, sempre tive amigos professores, amigos diretores então, e sempre no ambiente ali de escola. É, então assim, estar atuando com hip-hop dentro de escola é basicamente uma extensão do que do que de alguma forma eu sou até desde quando jovem até aqui, na fase adulta.”

Ele ainda completou que os costumes do funk e do hip hop mudou o significado da vida dele: “Então, é, me representa e expressa o que eu sou, o que também de alguma certa forma a minha família é, porque a gente é consequência do nosso ambiente familiar, da nossa é, dos nossos exemplos de de mais velhos e tal. Então, de alguma forma me expressa é literalmente quem eu sou, é como se se amanhã eu não tivesse mais aqui e segue o projeto, seguisse de alguma forma ali um legado ou algo nesse sentido.”

A inclusão desses elementos no planejamento pedagógico atua como um mecanismo de reconhecimento da diversidade cultural prevista na legislação educacional brasileira. Quando a escola incorpora o funk e o passinho em suas atividades, estabelece uma conexão direta com o cotidiano juvenil e promove o sentimento de pertencimento. Essa integração favorece o diálogo sobre ética e sociedade, além de utilizar a música como mediadora para o cumprimento de objetivos educacionais voltados ao desenvolvimento integral do aluno.

A Central de Notícias da Rádio Itaquera é uma iniciativa do Projeto “Cartola” Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo

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